Diz-se que o homem nasce livre. No entanto toda a liberdade é condicionada, não podemos fazer aquilo que queremos, pois somos regidos por regras implementadas por um governo superior a nós mesmos. No entanto, cabe a cada um de nós escolher agir de acordo com essas normas, ou então soltar o nosso lado mais rebelde e fazer tudo o que a nossa mente possa imaginar, quebrando inúmeras regras que a civilização demorou séculos a instaurar. Todos temos a opção de escolher entre o certo e o errado. A vida é mesmo assim: feita de escolhas! Certo e errado, sim e não, bom e mau, preto e branco, vivo ou morto, esquecer ou lembrar. No fundo são tudo escolhas que fazemos e, como tal, sofremos sempre as consequências. Face a um problema temos sempre diversas soluções; por vezes não é fácil soluciona-los pois à primeira vista são insolúveis, e mais tarde optamos pela solução que achamos melhor, ou mais correcta. Nunca ninguém definiu claramente, e para todas as situações, o que é correcto ou errado; por isso, antes de tomarmos uma decisão é-nos instalado um medo: será esta a escolha certa? Na verdade nunca sabemos se a nossa opção é a mais acertada. Ficamos sempre reticentes porque deixamos que o medo se apodere de todo o nosso corpo e influencie o nosso julgamento. Sentimo-lo apoderar-se rápida, e ao mesmo tempo, lentamente do nosso sangue, fazendo reflectir sobre coisas sobre as quais nunca pensaríamos.
Eu tenho medo, portanto sou influenciado por este sentimento bipolar. Tanto tem o seu lado bom, como tem o seu lado mau. O medo impede-nos de tomar decisões apressadas, impede-nos de agir por impulso; contudo, o medo é um entrave à felicidade, inibe a vivência e mantêm-nos presos em dúvidas existenciais desnecessárias. Ainda assim, tenho de tomar decisões, escolher entre aquilo que possivelmente me faz bem e aquilo que possivelmente me magoa. Escolher envolve pensar. Pensar é uma tarefa difícil e portanto, escolher é uma tarefa difícil. Mas o que magoa mais? Escolher errado ou ficar na indecisão? Sinceramente nem sei a resposta. Nunca saberei se escolhi certo errado. Porque na realidade nunca fiz verdadeiramente uma escolha. Deixei-me levar pelo comodismo e deixei que a situação se resolvesse por ela mesmo. Entreguei a escolha ao tempo. E no que deu? Sofrimento. É algo inevitável, sofrer com as nossas escolhas. Quer seja certo ou errado alguém acaba sempre por sair magoado. E eu não consigo partir um coração sem estilhaçar o meu primeiro. E foi isto que se sucedeu. Magoei-me ao tentar escolher, iludi-me, voei e aterrei agora no chão. Ninguém prevê o que ainda não aconteceu, mas negar os sinais também é uma escolha. Ao longo do tempo fui obrigado a escolher: esqueci – pelo menos tentei e tento, arrisquei, ignorei o óbvio e optei por brincar com o fogo. E já é sabido que quem brinca com o fogo, acaba queimando-se. Queimei-me e agora choro as feridas que sararão com o passar dos minutos de cada dia que vivo. Escolho viver porque sei que a vida é feita de marés: umas vazias, outras cheias. Desta vez estou numa maré vazia, não por minha escolha, mas porque o destino assim o quis.
Não controlo o destino, mas não me deixo ser totalmente controlado por ele: quando tenho dois caminhos sigo aquele que aparenta ser o mais favorável. Sei escolher porque me deram liberdade para tal, mas o que influencia as nossas escolhas? Nenhuma escolha é totalmente independente. Tudo depende de onde crescemos, de todos os ensinamentos que nos deram quando éramos crianças e acima de tudo: das pessoas que nos rodeiam. Podemos ser egoístas, concentrarmo-nos apenas no nosso próprio umbigo e não querer saber se as nossas opções interferem na vida dos outros. Eu não sou assim, pelo menos não me julgo tal pessoa. Se alguma vez o fui, foi inconscientemente! Escolhi consoante aquilo que me tentavam impingir, optei por aquilo que julgava ser melhor, não para mim, mas para aqueles que me rodeavam, se isso é egoísmo, mostre-me em que dicionário se encontra tal definição.
Estou farto de ter de escolher, ninguém o pode fazer por mim, é certo; mas sou obrigado a faze-lo, mas não gosto de escolher, a escolha é algo horrível, gostava de poder ter tudo, poder preservar as coisas que tenho para sempre. Mas sei que o tudo começa-se no nada, agora tenho algo: nada; e com as minhas penosas escolhas terei algo futuramente. O quê não sei, mas o tempo o dirá. Rui Coelho, 04 de Janeiro @